18/10 - Dia do Médico | Mais que fazer diferente, é preciso fazer diferença

Monte Sinai homenageia seu Corpo Clínico contando experiências que mostram um lado que pacientes desconhecem

Três médicos de Juiz de Fora acabam de retornar de experiências em bolsões de extrema pobreza e contam uma mínima parte da vivência de realidades que (não poderia ser diferente) impactaram sua forma de ver a vida e de pensar a Saúde. Como uma homenagem ao médico pelo seu dia, neste 18 de outubro, desde o ano passado, o Hospital Monte Sinai tenta mostrar um lado diferente da formação pessoal e/ou profissional do seu Corpo Clínico que o paciente, em geral, desconhece.

O infectologista Túlio Vieira Mendes passou 40 dias em Roraima, numa missão do Ministério da Defesa em prol de refugiados venezuelanos. Já Ana Claudia Venancio, cardiologista especializada em Eletrofisiologia, e o também infectologista Guilherme Côrtes estão voltando do Maláui, na África Oriental, onde participaram de projeto do Rotary Internacional, para treinamento de profissionais de saúde no principal hospital do país africano numa parceria entre Brasil, EUA, Uganda e Maláui.

 

Falta tudo. Mas não falta doçura

Difícil resumir mais de três horas de entrevistas de experiências tão ricas e emocionantes, mas o que eles concluem destas imersões em cenários tão diferentes da rotina que vivenciam em seus consultórios e hospitais muito bem estruturados é: sempre podemos fazer mais. E por mais que este pareça um pensamento de todos que se acham “solidários”, a primeira questão que surge na cabeça de qualquer brasileiro, até mesmo dos colegas médicos ao ouvir a narrativa é, por que buscar isso tão longe se temos, aqui, situações semelhantes de pobreza absoluta?

“Não há nada parecido com o que vimos lá”, Dra. Ana enfatiza. “Eu, como a grande maioria dos médicos, comecei minha carreira em plantões, onde era a única médica de plantão para um pequeno município e região. A questão não é essa”. No Maláui não faltam só recursos e insumos. Falta mão de obra. Falta alimento. Falta tudo.Não há exames que precisam ser feitos no hospital, como um simples exame de creatinina para um paciente há dez dias internado com insuficiência renal. “E não estamos falando de qualquer hospital, mas do maior, do hospital de referência do país, na capital Lilongwe. Três bebês na mesma maca na pediatria, uma enfermeira para cada 80 pacientes adultos, para  avaliar e medicar todos eles. Não é um bolsão de pobreza, é a situação de um país inteiro. É inimaginável.”

Mas o grande contraste que chamou muito a atenção da médica foi que “apesar de tudo isso, dentro de tanta tristeza é ver a doçura do povo. Eles são extremamente dóceis, carinhosos, eles cuidam uns dos outros”, destaca Dra. Ana Claudia.

Não podemos negar nossas origens

Combater pensamentos pré-concebidos, preconceituosos até, sobre a realidade que viu também marcou muito Dr. Túlio Mendes. O médico se indigna com a postura dos que acham que não tem obrigação de receber estes refugiados. Ele conta como é ver uma pessoa colocar toda sua vida numa mochila, deixar filhos para trás em busca de qualquer recomeço. É muito impactante. “A população está saindo de lá fugindo da fome literalmente – quem disser outra coisa está mentindo”, resume.

Fechar as portas para estas pessoas e querer que continuem nos recebendo em Portugal ou nos Estados Unidos no nosso momento atual de crise é mais que incoerente é um contra-senso da nossa formação populacional”, enfatiza o infectologista. Ele lembra que somos uma nação formada por muitas etnias, que recebeu imigrantes em massa do Líbano e da Síria a partir de 1880, depois judeus n primeira metade do século passado, bem como japoneses e italianos. “Vale lembrar que nossos principais hospitais de referência (Sírio e Libanês e o Albert Einstein) são fruto desta “mistura” de realidades e que, hoje, significam uma retribuição pela acolhida.

Dr. Túlio, que não está em sua primeira missão deste tipo, se emociona ao falar de um rapaz recém-chegado de quem ajudou a cuidar. Ele tinha os pés muito infeccionados. Ao tentar entender o motivo da situação física, ele ouviu o que resume a realidade destes venezuelanos na fronteira: ”Doutor, eu não tenho nem comida, imagine sapatos”. Ele, como milhares de outros, tinha percorrido a pé os 260 km de distância entre Pacaraima e a capital Boa Vista.

 

Mudar a realidade e construir esperança

O infectologista Guilherme Côrtes também não está em sua primeira experiência, já participa de projetos semelhantes há 18 anos. E diferente do que se faz numa ação humanitária, de atuação vertical para dirimir uma situação aguda e pontual, a abordagem da Fundação Rotárica visa sustentabilidade. O grupo multidisciplinar e sob bandeiras diferentes está alinhado com diretrizes de prevenção e controle de doenças, alinhado com os objetivos de desenvolvimento do milênio da ONU . “E uma forma de fazer isso é o treinamento para fortalecimento do sistema de saúde que estes países têm e que pode ser melhorada”, garante ele. “Mas numa realidade de extrema vulnerabilidade, como a que eles vivenciam, a velocidade da mudança é diferente da nossa expectativa, porém também é o que nos estimula a voltar sempre, a tentar fazer um pouco mais a cada vez”.

A atuação do grupo no Maláui não foi somente assistencial, enfatizam os médicos Ana e Guilherme. Eles viram de perto como é feita a assistência hospitalar lá, mas também participaram de debates e deram aulas na faculdade de Medicina que ajuda a formar “guerreiros” como descrevem os médicos de lá. O objetivo é ajudar fortalecer a política pública de saúde do país. Uma destas formas de ajudar é ensinando técnicas, modificando rotinas e instrumentalizando médicos, enfermeiros e estudantes para o exercício profissional e estruturação dos serviços de saúde, tentando, inclusive, minimizar a busca de especialização em outros países.

A mudança na forma de olhar a vida foi o tema central do que os três médicos extraíram de suas viagens. “Qualquer um de nós, quando fica doente, fica vulnerável”, lembra Dr. Guilherme. O que encontramos lá foi uma situação extrema de vulnerabilidade e falta de acesso à saúde. O que precisa ser continuamente reforçado é o direito à saúde, ao cuidado. Isto é que precisa ser universalizado”. Dra Ana relata que “a troca de conhecimentos e experiências é muito grande, onde se destaca a força deles, em ciente da suas atuais condições, seguirem firmes na luta pela vida.”. E Dr. Túlio Medes completa que sentiu fortemente que precisamos de muito menos do que acumulamos para viver. “Como para ajudar os venezuelanos, bastam coisas simples e boa vontade”.

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