Mulheres são 70% da força de trabalho do Monte Sinai

Uma pesquisa recente da Fundação Oswaldo Cruz aponta para uma crescente feminização do contingente de trabalhadores no Brasil, especialmente na saúde. Em todo o mundo a mulher domina a categoria. No Monte Sinai, elas são 70% da força de trabalho. E entre a categoria médica, elas já representam 43% do Corpo Clínico do Hospital. Por isso, ninguém melhor do que as próprias para falar do que é ser mulher hoje, numa semana em que o mundo comemora o seu dia. Ouvimos cinco representantes de alguns setores e elas falaram também sobre qual seria uma justa homenagem pelo Dia Internacional da Mulher, na opinião de cada uma.

Samara Rodrigues, enfermeira, dois filhos, grávida do terceiro, 13 anos de casamento, e tem sob sua responsabilidade a supervisão das unidades Coronariana, UTI Neonatal e Berçário.

“Ser mulher é ser profissional junto, ser mãe ao mesmo tempo, ser esposa, ser filha”... Na sua rotina recente Samara cuida dos dois filhos, dos pais, tem seus pais sob seus cuidados, um deles convalescendo de uma cirurgia cardíaca. “E ainda tento dar assistência ao meu marido, carinho, enquanto sou profissional de enfermagem. Então, ser mulher pra mim é conseguir articular tudo ao mesmo tempo”. Especialmente no quesito filha, ela não vê a nova responsabilidade como peso, mas considera que está retornando o cuidado e a preocupação que recebeu dos pais por tantos anos. Uma retribuição que é inerente à mulher, pois, com raras exceções, o homem (que também foi filho) não pensa e age da mesma forma.

Para Samara, a homenagem justa é o reconhecimento de tudo o que faz por todas essas pessoas. Ela garante que já tem isso. “Meus filhos me reconhecem como mãe, meu marido me reconhece como companheira, na ajuda financeira, naparte emocional – especialmente com período conturbado da gravidez”. Na parte profissional, não há dúvida, sua competência está provada na medida da responsabilidade que lhe foi confiada.

Mirian Lúcia do Nascimento, funcionária da Higiene e Limpeza há nove anos no Monte Sinai. Divorciada, tem um companheiro, mas não mora junto, tem orgulho dos três netos e ela foi mãe de dois filhos, mas perdeu um deles, três anos atrás, assassinado aos 25 anos.

Mirian, inicialmente tímida com a pergunta, acaba falando dos vários aspectos de ser mulher.  Profissionalmente, ela lembra das dificuldades de lidar com uma equipe grande, numa grande empresa: “é bem complicado, muita gente para conviver e conviver com muitas mulheres, pois há uma competição freqüente entre a gente”, pontua ela. “Gosto da minha jornada, gosto de trabalhar na instituição, antes só atuei em malharias e sempre quis esta área, até que aqui as portas se abriram para mim”.

Para Mirian, a mulher lida com o trabalho de forma diferente do homem. “Acho que nós, mulheres, trabalhamos mais, porque somos mais cobradas e, aqui, especialmente por estar em áreas que exigem mais dedicação e cuidado. Os meninos também trabalham muito, mas o nível de exigência, de foco, é diferente. Por lidarmos mais diretamente com as pessoas, precisamos estar antenadas, fazer o serviço sem incomodar o paciente, atender e superar a expectativa do cliente. A mulher consegue fazer isso de forma carinhosa, por natureza.. eu, pelo menos, sou”, garante ela. Além disso, toda mulher quer ser mãe, e na parte da maternidade sua experiência foi a mais difícil.  Sofrer com a perda de um filho também tem uma carga diferente para uma mãe, o impacto é maior, “pela sensibilidade natural da mulher, somos mais deprimidas no dia  a dia, e ainda com um impacto deste... Mas mesmo sofrendo, temos que trabalhar. É preciso ser forte frente ao colega e ao cliente, pois ninguém tem culpa. Precisamos sorrir, mesmo chorando por dentro e sem esmorecer. A gente também paga este preço também por estar no mercado de trabalho”, completa.

E é neste quesito que Mirian queria sua homenagem. “Acho que mereceríamos uma carga horária de trabalho menor, por que temos os afazeres da casa, que cuidar dos filhos. A gente corre muito mais que o homem”.

Cynara Meneghin, Supervisora de Contas, casada, um filho, comanda uma equipe de 52 pessoas, sendomais de 63% mulheres.

Ser mulher para ela é ter um jogo de cintura enorme. “Além de a equipe ser grande, são muitas funcionáriase preciso entender o lado mãe de cada uma, que tem que levar o filho para escola, no médico, enfrentar o feriado em que a creche emendou... A gente precisa ser capaz de equilibrar tudo isso e ainda atingir as metas do Hospital ao mesmo tempo... uma loucura! ”Cynara já passou por vários setores do Hospital e, hoje, trabalha na posição em que é mais exigida, pois está na parte final do processo, onde o resultado realmente é avaliado. “Depois de toda a assistência dada ao paciente é preciso verificar o que o convênio pagou ou não, tem a luta pelo contrato, pela glosa... Fico 100% ligada no Hospital, mesmo em casa estou sempre resolvendo problemas. É uma cadeia que a gente não separa, a preocupação é integral”.

Reconhecimento também é a primeira palavra aparece quando se fala em homenagem neste dia. Mas para Cynara, deveria ser da sociedade como um todo, pois a mulher na parte profissional é mais pressionada, mais cobrada por ter que cuidar de casa – apesar dos homens estarem conscientes e dividindo mais, - a preocupação, a responsabilidade de tocar o barco ainda é dela. “Gostaríamos de ter o nosso valor reconhecido, pois nossa luta é grande”.

Sarah Magalhães Almeida, solteira, técnica de Enfermagem. São três anos No Monte Sinai, sete anos na área Enfermagem e 16 na área de saúde. No time dos “Atletas Monte Sinai”, ela se destacou ao se impor o desafio de perder 40 quilos. Questionada se o que pesou mais foi a vaidade ou a saúde, ela pondera. “As duas coisas, a estética pesa bastante, a gente só toma uma atitude quando se sente cansado, não se reconhece no seu espelho. E ele é, sim, nosso melhor amigo”. No geral, para ela, é preciso equilíbrio. A vaidade não pode extrapolar o saudável, e na saúde é preciso não ficar doido ou bitolado, não ser chato nem perder o controle. “Mas o desafio é diário, a luta é diária em tudo, no alimento e na prática da atividade física, uma coisa completa a outra”.

Quanto ao universo feminino, Sarah pensa que o mundo evoluiu muito e abriu muito espaço, mas, ao mesmo tempo, trouxe uma carga de grande responsabilidade, de enfrentamentos e, acima de tudo, mas isso veio carregado de preconceito, numa era em que tudo isso já era para ter passado.“Já era pra estar mais suave. Apesar da mulher ser mais batalhadora, de mente aberta, de criar os filhos sozinha, ter independência financeira, ainda é um alvo de críticas, de preconceito fora da medida. Porém, mesmo com tudo isso, tem ficado cada vez mais forte”, garante. “Ser mulher para mim, Sarah, é uma dádiva, quero ser mulher de novo em outras vidas. Tem coisas que só as mulheres conseguem das outras pessoas, especialmente na Enfermagem, pela nossa capacidade de mudar, com nosso sorriso, com nossa delicadeza. Não que os homens não sejam capazes, mas com nossa sensibilidade e por causa da nossa docilidade, entendemos melhor a dor do outro”.

Como homenagem, Sarah quer mais igualdade, não de gênero, mas como raça humana. Hoje, está muito dicotomizado, ‘homem só assim’, ‘mulher é assim’, e isso está muito longe do ideal, por isso o preconceito, a violência, o que só será possível mudar quando houver união. “É possível fazer tudo o que se quer sem ferir o outro, sem guerrear, todo mundo está muito armado, homens e mulheres, pois isso a divisão. A humanidade é para todos, seguindo na mesma direção.

Andréia Guaraldo, médica da UTI Adulto do Monte Sinai, divorciada, um filho de 3 anos.

Enfrentando uma rotina pesada, como é a de qualquer intensivista, Andréia acha que ser médica e mulher tem o mesmo peso para todas, não acha que sua luta seja diferente, apesar de confirmar que não é fácil. Ela conta muito com o apoio da família na criação do pequeno Gabriel, principalmente para equilibrar suas jornadas no Monte Sinai e no HU com o malabarismo dos horários de escola e da agenda normal das crianças de hoje. Como especialista em Medicina Intensiva sua rotina é só de hospital, mas a correria é a mesma de quem também faz consultório, garante ela.

Andréia não acredita no dia da mulher como um marco e o mesmo vale para o homem. “Se buscamos igualdade, deve ser tudo equilibrado”. E ao ser questionada sobre homenagem justa para a mulher, ela pensou na mesma palavra da maioria: reconhecimento. “Nossa luta é grande, sim, e reconhecer nosso empenho é melhor que qualquer presente ou homenagem diferenciada. Acho que o reconhecimento é muito bom, mas no dia a dia. Não precisa de data especial para isso”, completa. 

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