Resolução do CFM amplia indicação de bariátrica

Em vigor a partir de janeiro, uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina expandiu o número de doenças associadas (comorbidez) para permitir a indicação de cirurgia bariátrica para obesos moderados - aquelas pessoas com índice de massa corporal (IMC) com resultado igual ou maior que 35. A norma também indica que no caso dos obesos mórbidos (IMC = ou > que 40), não é preciso comprovar doença relacionada.

O cirurgião Ivan Borges de Mattos Resende, da equipe especializada no procedimento no Hospital Monte Sinai, vê como muito positiva a mudança, pois ela foi baseada justamente no sucesso dos casos já realizados em todo o país e em literatura médica que comprovam que os benefícios da cirurgia suplantam os riscos da doença, da obesidade.

Ele lembra ainda que a evolução das técnicas e seus resultados já levaram o CFM a rever o nome do grupo de procedimentos associados, chamado atualmente de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Sua equipe, por exemplo, realiza em sua maioria dos casos na saúde suplementar o ByPass Gástrico por videolaparoscopia - que consiste na septação do estômago, formando uma bolsa de cerca de 30 ml para restringir a ingestão alimentar, além de um desvio no intestino para promover a redução da absorção de calorias, mas vem crescendo em incidência a realização da Gastrectomia Vertical, também por videolaparoscopia, que consiste na retirada de grande parte de fundo e corpo do estômago, sem fazer qualquer desvio intestinal.

Esta técnica mista, o ByPass, além do processo mecânico (que reduz o volume inibindo a ingesta e a absorção de calorias), modifica e amplia a produção hormonal. Um efeito da cirurgia importante, pois os hormônios produzidos no intestino ajudam a diminuir o apetite, além de estimularem a produção de insulina. Esta é uma excelente indicação do procedimento para diabéticos, no caso dos que têm o tipo 2 da doença. "Ela já tem este resultado comprovado no obeso moderado aqui no Brasil, mas em alguns países, como nos EUA, já é indicada para o obeso leve (IMC = ou > que 30)", afirma o médico. Ivan Resende acredita que, muito em breve, estará em avaliação e certamente vai ser autorizada a cirurgia, no país, também com esta finalidade.

Acesso ao procedimento e cuidados

Estar recomendado pelo CFM é um caminho, mas não é automaticamente uma regra a ser seguida pelos planos de saúde. A flexibilização tende a ser absorvida pelo rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas esta mudança ainda não é obrigatória. Porém, independente de ser via particular ou com cobertura pelos convênios, a realização da cirurgia exige um preparo importante e, necessariamente, o paciente passa por equipe uma multidisciplinar para avaliação de riscos. Além de não dispensar um acompanhamento no pós-cirúrgico, já que seu sucesso é inerente a uma mudança completa de hábitos.

Antes do procedimento há uma avaliação principal, do cirurgião especializado, depois o paciente de bariátrica passa pela avaliação de um nutricionista, de um psicólogo, precisa de avaliação de um médico clínico - em geral, o endocrinologista -, além do cardiologista e, em alguns casos, do pneumologista. "Pensando em termos de risco absoluto da cirurgia, ele hoje é considerado muito baixo. Mas a obesidade é uma doença que não tem cura, a cirurgia apenas a trata", lembra Ivan Resende. Em termos de complicação grave, a bariátrica, hoje, tem taxa de menos de 2% e de menos de 0,5% de mortalidade. Considerando a relação de benefícios do tratamento, ele reforça que seu risco é muito menor que os que a própria obesidade causa - especialmente das doenças cardiovasculares (infarto e AVC/derrame), que ainda são as maiores causas de morte no mundo. "Mesmo a cirurgia aberta ainda tem risco menor que a obesidade", garante o cirurgião que também atua no Sistema Único de Saúde, onde a videolaparoscopia ainda não é padrão.

Sucesso depende muito do paciente

O acompanhamento pelo cirurgião é feito de reavaliações quinzenais até anuais, após dois anos do procedimento. Mas a equipe multidisciplinar tem papel fundamental no pós-operatório. O nutricionista vai ajudar o paciente a rever completamente sua dieta alimentar e o psicólogo nos efeitos da mudança de comportamento, inclusive de autoestima - que é um "efeito colateral" positivo do tratamento. Ivan Resende recomenda um profissional de educação física, também, para estruturar novos hábitos de vida, com perda de peso adequado, inclusive de massa magra, visando o melhor resultado possível da cirurgia.

A recidiva (recorrência da doença) costuma acontecer em até 10% dos pacientes que podem ter reganho de 50% do peso perdido. Um reganho de 5% do peso é considerado normal. Mas, na maioria absoluta dos casos, a obesidade só retorna se o paciente não aderir ao tratamento específico. Se a dieta for altamente calórica, com ingestão de alimentos de baixo valor nutricional, ele vai engordar de novo, mesmo comendo menos. São raríssimas as complicações geradas pelo procedimento e, nestes casos,nova intervenção cirúrgica pode resolver.

Independente da flexibilização das indicações recentes pelo CFM, Ivan Resende garante que a demanda pelas técnicas bariátricas é crescente. Tanto que sua equipe no Monte Sinai já está se ampliando com a adesão de novos profissionais para a realização de 40 a 50 novas cirurgias por mês, e com demanda reprimida.

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