Serviço de Transplante de Fígado completa um ano

No mês de julho, o Serviço de Transplante Hepático do Hospital Monte Sinai completou um ano de sua inauguração, com um evento científico que mostrou como seria a efetivação dos processos em parceria com experiente equipe do Hospital Quinta d´Or, do Rio de Janeiro. O primeiro transplante aconteceu em 1º de setembro, com as preparações até a primeira doação disponível. Uma das hepatologistas da equipe, Tarsila Rocha, esteve no programa Pergunte ao Doutor, da rádio CBN Juiz de Fora este mês, falando como foi esse primeiro ano e a evolução que a equipe multiprofissional do Monte Sinai já alcançou depois dos casos realizados. Ela destacou ainda as condições para seleção dos candidatos ao transplante e as dificuldades com a disponibilidade de órgãos. E chamou a atenção para a importância das pessoas cuidarem da saúde e discutir com suas famílias a questão da doação.

Quem é candidato ao transplante hepático e como é a fila de espera?

Dra. Tarsila explicou que o transplante hepático tem como principal indicação os pacientes com cirrose hepática avançada, com manifestações claras. Além da hepatite aguda grave – que teve casos recentemente em função da febre amarela, chamada hepatite fulminante – estes são pacientes que ganham priorização na lista de transplante nacional.

A lista é maior que o número de doadores em todo o país, mas em geral a lista é estadual, a nacional é acionada apenas para casos de maior gravidade, como o citado. Ano passado houve 2.600 transplantes no país. Mas para se ter ideia de como é baixo o número de doadores, há apenas em Minas Gerais cerca de 5.100 portadores de cirrose hepática, e só foram feitos 133 transplantes. Este volume dá noção da enorme diferença entre disponibilidade de órgãos e necessidade de transplantes. Em nível mundial, a morte de pacientes de transplante de fígado em fila é de 5 a 10%.

Qual a importância da doação de órgãos no caso do transplante hepático?

O fígado é dos poucos órgãos que permite a possibilidade de transplante intervivos, mas são poucos os casos em que é possível fazê-lo, sendo o mais comum é a doação de parte de fígado para crianças. Porém, nem todos os centros estão preparados para isso e depende da necessidade do paciente e da disponibilidade do órgão do doador. A doação com órgão de cadáver ainda é a mais necessária. A conscientização da necessidade de doações é fundamental. “Por isso, é importante que o doador deixe claro para a família que pode deixar um pedacinho de si para um paciente candidato renascer”, destaca a médica.

Como tem sido a atuação da equipe do Monte Sinai?

O Hospital Monte Sinai já é referência de transplante de córnea, de medula óssea e, em um ano, já foram oito transplantes e estamos indo muito bem. Mas poderíamos estar melhor se houvessem mais doações, garante Tarsila, pois já houve perda de dois pacientes em lista, que não aguentaram esperar.

O transplante hepático é característico pelo fato de depender de uma equipe multidisciplinar grande e que precisa estar muito sintonizada, com anestesiologistas, cirurgiões, fisioterapeutas.“E foi uma alegria, neste o último transplante,ver como a equipe amadureceu e está funcionando bem. Neste caso foi necessário ainda o apoio de nefrologistas, pois o paciente não tinha o rim funcionante, ele foi para o transplante em diálise. Foi necessário um tipo especial de hemodiálise, denominada Contínua, permitindo que o paciente aguentasse a cirurgia”, conta ela. Depois do transplante, conta ela, a equipe de terapia intensiva, de nutrição,de psicologia trabalharam muito bem para permitir que a recuperação do paciente fosse um sucesso.

A rejeição é comum neste tipo de transplante? O paciente pode ser reimplantado?

Tarsila brinca que o fígado é um “órgão bonzinho”. Da mesmaforma que aceita receber um pedaço e em sete dias estar no tamanho normal, a rejeição não é a maior preocupação. Ela pode acontecer, sim, em 25% a 30% dos casos, mas no caso do transplante hepático é tratável. “Nós aumentamos o volume de imunossupressores – medicamentos que o paciente vai tomar para o resto da vida –e, assim, a rejeição pode ser controlada. Em casos muito raros há necessidade de um segundo transplante”, destaca a hepatologista.

Quando um paciente é indicado ao transplante?

Sempre que um médico tem um paciente com problemas do fígado, que desenvolve uma complicação, ele deve estar ciente que precisa encaminhá-lo à equipe de transplante. Neste momento, já começa o trabalho multiprofissional. O paciente já passa por uma série de especialistas para avaliar desde a parte clínica, feita pelos hepatologistas, e para verificar questões de problemas renais, cardíacos, se tem passado de neoplasias eoutros. O apoio psicológico é fundamental, pois no pré como no pós-transplante ele precisa estar consciente de que vai ter que tomar medicação pelo resto da vida, que precisar ir às consultas regularmente, no caso de cirrose por álcool, que vai precisar parar de beber. A cirrose também leva a uma desnutrição muito grande. Em geral, o paciente chega ao transplante com uma condição física, nutricional e imunológica muito ruim e, para isso, ele precisa ser preparado e acompanhado por uma equipe de nutricionistas e fisioterapeutas.

O que provoca as condições para a necessidade de um transplante?

Não é só o álcool que desenvolve a cirrose hepática, ela também pode ser ocasionada por vírus de hepatite. “Por isso, a importância das campanhas de conscientização em relação a sexo protegido, que pode evitara transmissão de Hepatiete B; contra o uso de drogas endovenosas, por causa da transmissão da Hepatite C e outras”, alerta a médica que reforça outra condição cada vez mais comum para indicação de transplantes. “Além disso, tem nos preocupado cada vez mais a chamada “gordura no fígado”, a esteato-hepatite, um tipo de hepatite gordurosa não alcoólica. Pode afetar qualquer pessoa, mas é mais comum em quem tem sobrepeso, independe da pessoa ser obesa. Associada a pressão alta, diabetes, sedentarismo a condição é pior. “Este tipo de problema tem que ser monitorado, pois acreditamos que esta será a principal causa do transplante em cerca de 10 anos e não mais a cirrose por álcool ou vírus da Hepatite”, alerta a médica.

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