Um dos primeiros do país: troca de válvula aórtica com procedimento minimamente invasivo

130 dias internadas numa unidade de terapia intensiva não tiraram a vitalidade da artesã Aparecida do Carmo Souza Meurer, de 69 anos. Pelo contrário, ela deixou o Hospital Monte Sinai como coração renovado depois de se submeter a uma cirurgia minimamente invasiva para troca da válvula aórtica, utilizando a técnica mais avançadado mundo em termos de Cardiologia Estrutural e foi uma das primeiras, no Brasil, realizada com acesso por via transaórtica.

Parte deste tempo em tratamento intensivo, por falta absoluta de condições de ser monitorada em internação comum ou em casa - cerca de 75 dias - D. Aparecida passou aguardando a decisão judicial contra seu plano de saúde para ter acesso ao Implante Valvar Aórtico Transcateter (TAVI), a única chance para ela tratar uma estenose aórtica grave. O resultado foi tão bom que permitiu à paciente receber alta direto para casa, bem no dia em que completava 69 anos. Com direito a bolo e balões em formato de coração, salgadinhos e refrigerante, numa comemoração muito animada com toda a equipe da UC e do Serviço de Hemodinâmica do Hospital.

Muito emocionada com a festa surpresa, montada enquanto ela fazia uma caminhada "recomendada" pelo fisioterapeuta, D. Aparecida chorou, brincou e não parou de agradecer a todos da equipe, que passou a considerar como parte de sua família. "Saio ótima, não estou sentindo nada. A cirurgia foi um sucesso e agora começo uma vida nova, vendo o mundo de forma muito diferente", garante ela.

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A única esperança

O Cardiologista Intervencionista Gustavo Ramalho, do Serviço de Hemodinâmica do Monte Sinai, explica que a estenose aórtica degenerativa é uma doença que atinge principalmente pessoas acima dos 65 anos, sendo que de 3% a 5% dos pacientes com mais de 75 anos vão ter a patologia. Ela se caracteriza por estreitamento da válvula aórtica, que, pela incapacidade de se abrir, não permite a passagem de sangue que precisa ser bombeado para todo o corpo. A doença pode ser detectada, e o doente pode conviver com ela por vários anos, mas não há medicação para a patologia. O tratamento através de uma intervenção é indicado nos pacientes que apresentam sintomatologia como falta de ar, dor no peito ou desmaios. Quando os sintomas ficam severos a expectativa de vida do paciente passa a ser de dois a cinco anos apenas. Porém, como aparece em idade avançada, em 30% dos casos, os doentes são considerados inoperáveis, ou seja, o risco da cirurgia é tão grande que impossibilita a sua realização.

 

Casos como o de D. Aparecida que tem enfisema pulmonar severo, insuficiência renal crônica, displasia dos cólons, além de constituição física frágil ou por outras contraindicações típicas da idade,o risco do procedimento cirúrgico através da troca da válvula aórtica foi proibitivo. A cirurgia convencional (a céu aberto) para a troca da válvula foi a única terapia resolutiva por muitos anos. Mas só de estar acima de 70, a maioria já está em risco e os 'scores' mostram potencial de mortalidade alta. Ramalho explica que por um tempo usou-se valvuloplastia com balão, (realizado em Hemodinâmica, por cateter) mas em 50% a 60% dos pacientes ocorreu a volta da estenose em seis meses. E este procedimento passou a ser usado apenas como uma ponte, até que o paciente possa operar ou ter acesso à TAVI - que consiste em uma prótese com válvula no seu interior, que é implantado por via percutânea, em geral, pela virilha. O resultado tem evoluído em todo o mundo, mas no Brasil, especialmente, a maioria dos pacientes de convênio, só consegue ter acesso por manobras judiciais, pois o procedimento ainda não está no rol da ANS. Foi o caso de D. Aparecida, depois de uma espera que poderia ter sido fatal.

 

Um caminho sem volta

Como estratégia terapêutica para pacientes portadores de estenose aórtica grave, a TAVI tem evoluído de maneira rápida, com o número de procedimentos crescendo exponencialmente em todas as partes do globo. Mas que precisou de alternativas para pacientes sem condições de acesso via femoral. A saída foi testar vias acessórias: atransapical - uma minicirurgia cardíaca em que se entra no coração pelo ápice, mas que afeta a anatomia do coração, pois depois é preciso fechar a incisão - é uma opção rara, sendo as outras pela artéria subclávia (abaixo da clavícula) ou transaórtica, onde é preciso uma incisão pequena no peito e acesso direto à aorta. A apical é feita em centro cirúrgico e as outras, em Hemodinâmica, mas em nenhum dos casos é preciso parar o coração, como na cirurgia "a céu aberto".

E para obter sucesso judicialmente é preciso uma série de provas que descartem os meios convencionais, obrigando os planos de saúde a cobrirem os altos custos do procedimento. São exigidos vários exames e diagnósticos, pareceres sobre as condições físicas do paciente, e no caso de D. Aparecida, também que a solução para receber o implante seria exclusivamente via transaórtica, pois ela apresentava contraindicação do uso da via femoral devido a presença de um trombo na aorta abdominal, além de ter artérias finas nas ilíacas (virilha) que não comportariam o introdutor da prótese. Ela foi, por reunir tantas condições específicas, uma das primeiras pacientes brasileiras a fazer o TAVI transaórtico.

Sendo assim, a recomendação para a técnica exige a formação de um chamado "heartteam" - que inclui cardiologista intervencionista, cirurgião cardíaco, cardiologista clínico, além dos especialistas relacionados ao diagnóstico. É uma técnica que além de refinada, exige habilidade dos profissionais para executá-la. Pelo menos um "proctor" (médico com larga experiência no implante da prótese) auxilia os primeiros casos do cardiologista intervencionista e, no caso da via transaórtica, em que há uma incisão e a necessidade da presença de um cirurgião cardíaco, havia dois "proctors" em Juiz de Fora no procedimento de D. Aparecida. Gustavo Ramalho e Leandro Pimentel foram os cardiologistas intervencionistas que atuaram pela Hemodinâmica do Monte Sinai e Vagner Campos, o cirurgião cardíaco.

Ramalho é entusiasta da técnica e garante que a CoreValve está mudando a história da cardiologia intervencionista para correções estruturais, ou seja, abordagem de válvulas, defeitos congênitos etc. "Antes não havia o que fazer pelo paciente com mais idade, ele simplesmente aguardava a morte. Hoje, vemos o desenvolvimento de novos materiais, técnicas e recursos para garantir sobrevida de uma população cada vez mais longeva. Não há como retroceder neste caminho", completa.

Final feliz

Um cenário com um final muito feliz para D. Aparecida, que conta que não se sentia tão mal no dia da internação, em maio, "senti umas fisgadas e logo tomei uma 'talagada' de bicabornato", ri. Como mora sozinha, um vizinho levou a sério sua falta de ar, mas no momento do socorro seu estado já era muito grave e ela não pôde mais deixar a UC. Pneumopata, com maior risco de infecções, franzina e com dores, os 130 dias foram um desafio inédito para toda a equipe. Mas, considerando que do implante até a alta foram apenas 14 dias de recuperação, ficou provado que a TAVI era sua única saída.

Depois de tanta luta e por ter conquistado a todos com sua personalidade cativante, a despedida foi em grande estilo. "Fui muito bem tratada por todos, mas não vejo a hora de voltar ao meu trabalho, porque trabalho é vida, é saúde pra mim. Eu não acredito em velhice". D. Aparecida garante que vai sentir falta de cada um dos funcionários que cuidaram tão bem dela no Monte Sinai, mas confessa que não pretende voltar tão cedo. Pelo menos, como paciente.

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